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or Luís Carvalho, da Agência Inforpress ****
Cidade da Praia, 27 Set (Inforpress) - Os sacos de plástico convencionais, em Cabo Verde, deixam de ser comercializados a partir de Janeiro próximo, mas a Associação da Defesa do Ambiente mostra-se céptica, enquanto a Caboplast está em condições de abastecer o mercado com sacos biodegradáveis.
Os sacos de plásticos convencionais podem ter os dias contados em Cabo Verde, um país que se tem mobilizado em prol da defesa do meio ambiente. A partir de Janeiro de 2017 é proibida a utilização deste tipo de embalagens. A lei, que vai entrar em vigor, foi publicada em Agosto de 2015. Assim, fica interdita a produção, a importação e a comercialização dos chamados sacos convencionais que levam anos a deteriorarem-se, causando mal ao meio ambiente.
Desde de Julho do presente ano está interdita, por lei, a produção e a importação de sacos de plásticos convencionais.
O presidente da Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD), Januário Nascimento, mostra-se céptico quanto ao cumprimento da lei e adianta que muito resta ainda por fazer, de modo que a legislação tenha a eficácia desejada.
“Nem todas as condições estão ainda criadas para a implementação desta lei”, disse o presidente da ADAD, acrescentando que ainda faltam quatro meses para a entrada em vigor da legislação, pelo que, se for feito um “grande esforço” tanto da parte do sector privado como do público, é possível salvar a aplicação do diploma.
Januário Nascimento defende que sejam criadas as alternativas aos actuais sacos de plástico convencionais, pois, disse, ele, sem outras opções “será difícil aplicar a legislação”.
Na sua opinião, a Caboplast (Sociedade Industrial de Transformação de Material Plástico) já iniciou a produção de sacos degradáveis, mas “não são suficientes”.
“Um outro trabalho que deve ser feito é o da sensibilização junto das comunidades quanto à necessidade da utilização dos sacos biodegradáveis”, indicou o ambientalista que também defende uma “boa articulação” com algumas entidades, nomeadamente as alfândegas, os portos e os aeroportos, com vista a um melhor controle das importações das embalagens.
Em alternativa aos sacos de plásticos convencionais, Nascimento defende a utilização dos sacos de pano, como se fazia antigamente.
Um outro trabalho que é preciso fazer, prossegue o presidente da ADAD, é o da recolha dos plásticos espalhados pela natureza e, que, hoje, é “tecnicamente possível”.
Da parte da organização que dirige garante que está a fazer “todos os possíveis” para que a lei comece a ser implementada a partir de Janeiro e, nesta tarefa, espera contar com o apoio de todas as instituições, designadamente do Governo.
Adiantou, ainda, à Inforpress que a ADAD tem estado a recolher os sacos de plástico espalhados um pouco por todo o país e encaminhá-los para a Caboplast para efeito de reciclagem, que, segundo ele, tem sido uma “boa colaboradora”.
Por sua vez, o gerente da Caboplast, Chadi Hojeige, assegurou à Inforpress que desde 01 de Julho a sua empresa começou a produzir sacos degradáveis. Para tal, adquiriu novos equipamentos, um investimento feito a pensar no mercado nacional. A fábrica tem uma capacidade instalada que atinge as 80 toneladas de sacos por mês, o que, segundo aquele responsável, é suficiente para responder às demandas do país nessa matéria.
Conforme indicou, a produção actual anda à volta de pouco mais de 20 toneladas por mês porque o mercado não tem a capacidade de absorção.
Explica que esta situação se deve ao facto de, por um lado, as pessoas estarem a esgotar o stock existente e, por outro, porque já se nota uma redução no consumo dos sacos de plástico.
“Agora, quando as pessoas vão às compras, em vez de levarem oito ou dez sacos, como faziam antes, optam por carregar menos porque são obrigadas a pagar cinco escudos por saco de plástico”, esclareceu.
Numa ronda por alguns estabelecimentos comerciais da capital a Inforpress pôde verificar que, efectivamente, se nota uma redução no consumo dos sacos.
No entanto, alguns gerentes dos supermercados e minimercados, disseram à Inforpress que, por enquanto, não estão debitar ao cliente os custos dos sacos de plástico, ou seja, estas embalagens são fornecidas gratuitamente.
“Não sabemos até quando podemos continuar a oferecer gratuitamente os sacos aos nossos clientes”, desabafa um dos gerentes com quem a reportagem da Inforpress falou. E faz este desabafo: “estes sacos degradáveis são muito caros!”.
A Caboplast, revela o seu gerente, vende cada quilo de sacos degradáveis por 60 escudos.
“Não podemos comercializá-los (sacos) por menos preço porque estes materiais são caros e, além disso, há o problema do investimento que fizemos em novos equipamentos”, aponta Chadi Hojeige.
Para aquele responsável, a Caboplast tem capacidade para abastecer o mercado em matéria de sacos de plástico degradáveis e, por isso, “não há necessidade de se importar estas embalagens”.
Relativamente à forma como as pessoas agiram em relação à introdução de sacos degradáveis em Cabo Verde, informou que os clientes, isto é, as casas comerciais, inicialmente, reclamaram em relação aos preços.
Os consumidores finais, que são os clientes dos supermercados, lojas e casas comerciais, na opinião de Chadi Hojeige já tomaram a consciência sobre a necessidade de o ambiente ser preservado.
Em Cabo Verde, devido à quantidade de sacos de plásticos espalhados pela natureza, estas embalagens já são catalogadas como as “flores das acácias”. Quem fizer o percurso Praia/ Cidade Velha, por exemplo, pode verificar esta situação que deixa o país mal na fotografia em matéria de protecção do meio ambiente. A poluição visual é visível.
Dados do Ministério do Ambiente revelam que 11% dos resíduos recolhidos no país são constituídos por plásticos.
Estudos revelam que um saco de plástico convencional pode levar mais de 30 anos para se decompor na natureza. Quando estes materiais são lançados ao mar, constituem autênticas ameaças à vida marinha. Os animais confundem-nos com alimentos e acabam por consumi-los. As tartarugas marinhas, entre as quais algumas espécies em extinção, são as principais vítimas.
Calcula-se que anualmente morrem mais de 100 mil mamíferos e pássaros devido às acções dos sacos de plástico.
Neste momento, a Caboplast produz apenas sacos degradáveis que, de acordo com o responsável da empresa, estes, em contacto com o ambiente, dentro de 20 meses, ficam destruídos.
A legislação cabo-verdiana prevê também a produção e comercialização de sacos de plástico biodegradáveis.

Cidade da Praia, 26 Set (Inforpress) – Cabo Verde acolhe entre os dias 20 e 30 de Setembro, um atelier internacional para analisar as tendências dos impactos das mudanças climáticas nos Pequenos Estados Insulares em desenvolvimento e promover a partilha de conhecimentos sobre adaptação às mudanças climáticas.
Maurícias, Seychelles, Maldivas, Guiné-Bissau, União de Comores e Haiti, são os países que, juntamente com Cabo Verde, vão estar reunidos no “Atelier Internacional para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento – Iniciativas Comunitárias de Adaptação às Mudanças Climáticas – SIDS CBA”, a ter lugar num dos hotéis da Cidade Velha.
Organizado pelo Programa de Pequenas Subvenções do Fundo Mundial para o Ambiente às Organizações da Sociedade Civil (GEF SGP), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério da Agricultura e Ambiente, o evento será uma oportunidade para aos participantes reflectirem sobre as recomendações preliminares de uma avaliação a meio percurso do SIDS CBA.
Segundo a organização, para além de se analisar as tendências dos impactos das mudanças climáticas, o atelier vai servir ainda para examinar os resultados das iniciativas comunitárias SIDS CBA , financiadas até ao momento e como esses projectos criaram consciência e apoiaram actores locais dos diferentes países na adaptação aos impactos e variabilidades das mudanças climáticas.
Em Cabo Verde, o GEF SGP apoiou, entre 2011 e 2015, 72 projectos comunitários, num valor total de 1.800 mil dólares destinados ao apoio a cinco iniciativas comunitárias de adaptação nas ilhas de Boa Vista, Santo Antão, Santiago e Brava, sendo que deste montante, 120 mil dólares provem do Governo australiano, através do Departamento de Relações Exteriores e Comércio (DAFT).
O objectivo do programa SIDS CBA em Cabo Verde consiste em promover a gestão sustentável e integrada dos recursos naturais, enquanto melhora a resistência dos meios de subsistência das comunidades vulneráveis e as capacidades de adaptação às Mudanças climáticas.
O reforço das capacidades de organizações da sociedade civil vulneráveis para apoiarem as comunidades a se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas e assegurar que as iniciativas de adaptação contribuam para as prioridades e políticas nacionais, é outro objectivo do referido programa.
O programa “Iniciativas Comunitárias de Adaptação às Mudanças Climáticas” (SIDS CBA em inglês) foi criado pelo DAFT e GEF SGP, em 2009, com um financiamento de 12,4 milhões de dólares, visando melhorar a resiliência das comunidades locais em 42 países, muitos dos quais pequenos Estados insulares em desenvolvimento.
A justificação para estas iniciativas é a de que esses estados são particularmente vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas devido à sua pequena superfície, susceptível a desastres naturais, isolamento geográfico, recursos naturais limitados e ecossistemas sensíveis.
É neste sentido que o programa pretende reduzir a vulnerabilidade e aumentar a capacidade de adaptação de comunidades locais aos efeitos adversos das mudanças climáticas, dotar os países com experiência concreta básica de adaptação local às mudanças climáticas e disponibilizar lições claras às políticas relevantes, integrar o programa nos processos nacionais e aumentar em escala as práticas.
A sessão de abertura do “Atelier Internacional para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento – Iniciativas Comunitárias de Adaptação às Mudanças Climáticas – SIDS CBA” está marcada para terça-feira, 27, pelas 09:00 e será presidida pelo ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva.