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Ambiente/40 Anos: Educação ambiental é o maior desafio do sector - investigadorCidade da Praia, 01 Jul (Inforpress) – A educação ambiental é o maior desafio do país nesses últimos 40 anos no sector, porque implica mudanças de comportamentos que ainda não aconteceram, apesar dos ganhos alcançados no sector, considerou o geógrafo e investigador José Maria Semedo.

Para José Maria Semedo, que falava à Inforpress sobre o estado do ambiente em Cabo Verde, transcorridos 40 anos da independência nacional, o país tem, neste momento, vários desafios ambientais, já que “quanto mais ganhos, mais desafios”, tanto a nível nacional como a nível local.
Segundo o investigador, mesmo com o sector do ambiente a dominar a “ordem do dia” do país, a sociedade “não se sente satisfeita e exige muito mais”, mostrando-se ciente de que a forma como o ambiente tem sido protegido em Cabo Verde “não é o ideal”, mas sim o “possível”.
“Questões como a educação ambiental é um desafio da humanidade e não apenas de Cabo Verde, porque envolve discussões de temas, de metodologias e de abordagens, e implica mudanças de comportamentos, de atitudes e de paradigmas que ainda não existem”, afirmou, considerando que o trabalho nas escolas do ensino básico seria a “prioridade” neste aspecto, já que é muito mais fácil mudar o comportamento da próxima geração do que a actual.
No entender de José Maria Semedo, é preciso fazer campanhas de comunicação e informação como forma de sensibilização da população, porque a preservação do ambiente passa pela postura dos cidadãos e da comunidade, mas realça que, em relação às doenças que eram ambientais e de origem hídrica, como a cólera e o paludismo, “desapareceram”.
Ao lado da educação ambiental, o geógrafo aponta o saneamento como outro desafio que o país não conseguiu dar uma resposta efectiva nesses seus 40 anos, porque, mesmo com ganhos “consideráveis” alcançados na gestão da água e dos espaços melhoramos, “não satisfaz a sociedade”.
“O que se verifica em Cabo Verde em relação ao ambiente, é que, por um lado, o quadro ambiental em si alterou-se consideravelmente, apesar do ciclo da seca que continua, por ser algo natural, mas há muito mais conhecimento, porque existem mais tecnologias, por exemplo, permitindo fazer uma análise mais adequada em relação à evolução ambiental”, indicou.
Esta evolução aconteceu, porque, segundo o investigador, que é também professor universitário, a partir da década de 1990 começou-se a exigir estudos de impacto ambiental, o que permitiu a construção de “grandes” infra-estruturas que não eram pensadas há 40 anos e com “grande esforço para evitar erros ambientais”.
A sociedade civil, que começa a entender a necessidade da protecção ambiental, é também, no entender de José Maria Semedo, responsável pelos ganhos alcançados, tendo em conta que, nos últimos 20 anos, surgiram em Cabo Verde muitas associações de carácter ambiental.
Quanto à legislação ambiental, o investigador sublinhou que, em Cabo Verde, existem “óptimas” leis ambientais no domínio da água, da flora, da fauna, que proíbem a apanha de areia nas ribeiras e nas costas, entre outras, que se forem aplicadas na íntegra, tal como está no papel, o país estaria “muito próxima do paraíso”.
“Falta a aplicação, a fiscalização e a difusão da lei e também o assumir das responsabilidades, porque não vale a pena criar uma legislação bonita que as pessoas não conhecem ou ignoram e nem levam em consideração”, defendeu.
As ajudas internacionais para a protecção ambiental em Cabo Verde é algo que o geógrafo José Maria Semedo pensa que é “melhor não contar” com elas, porque, na sua opinião, todos lutam por elas, mas os “mais espertos é que conseguem lá chegar”, ou seja, que é uma “corrida de muitos cães a um osso…”.
Fonte: http://www.inforpress.cv/