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São Vicente: Poderes devem criar maior consciência ambientalista - Biosfera 1
Mindelo, 05 Jun (Inforpress) - O presidente da associação ambiental Biosfera I considera que os poderes constituídos devem promover uma maior consciência ambientalista de modo a conferir ênfase ao trabalho ambiental e não falar dele apenas nos dias a ele dedicados.
Em entrevista à Inforpress, a propósito do Dia Mundial do Ambiente, que hoje se celebra, José Melo diz acreditar que a sensibilização em questões do meio ambiente poderia estar mais avançada em Cabo Verde.
No caso de São Vicente, segundo o ambientalista, o trabalho tem “sortido efeito”, mas ainda assim, disse, reclama incentivo.
José Melo indica que este papel não cabe somente a associação que dirige, mas também, designadamente, às câmaras municipais, ao Governo e a comunicação social.
‘’Acredito que o trabalho que está a ser desenvolvido por estas entidades é muito lento, ao nível da comunicação social e, mais precisamente, da televisão e da internet”.
O responsável é crítico em relação à televisão nacional, que diz cuidar do tema ambiente só quando há uma “notícia de choque”, abandonando-o ao cabo de alguns dias.
O presidente da Biosfera I salienta que a sensibilização para as questões do meio ambiente tem que ter sempre “prosseguimento”, sendo a comunicação social a melhor forma de sensibilizar a população.
Melo acredita que a população cabo-verdiana é “receptiva”, tem existido muita informação ambiental e com o tempo vai absorvendo-as, mas alerta para a faltar de um trabalho “consecutivo, sem quebras”, para a questão do ambiente.
Para a Biosfera I, o trabalho mais urgente a ser realizado em Cabo Verde está relacionado com a sensibilização das populações por parte das identidades governamentais e autárquicas do país.
Apostar mais nos grupos associativos para ajudar nas campanhas de limpeza e incentivar mais trabalhos ambientais não apenas no dia do ambiente são alguns itens que José Melo aponta e que acredita deveriam ser avaliados pelas câmaras municipais do país.
Questionado se a Câmara Municipal de São Vicente tem apoiado a Biosfera I nos seus projectos, José Melo afirma que a associação tem sentido um “grande vazio” a este nível.
Na mesma linha, o responsável disse que a associação endereçou à câmara municipal, há quatro meses, uma carta de pedido de apoio solicitando, a título de empréstimo, uma das duas máquinas de triturar vidro de que a autarquia dispõe.
O pedido foi feito com o propósito de realizar uma campanha de recolha e reciclagem de vidro, mas o projeto parece gorado, uma vez que a autarquia ainda não respondeu.
José Melo sublinha que não foi solicitado nenhum apoio financeiro, mas tão-somente o empréstimo das máquinas, que segundo o entrevistado, estão há mais de dez anos “fechadas” num armazém da câmara.
O ambientalista defende também que a câmara deveria “abraçar” este projeto, sendo que a Biosfera I está decidida em auxiliar na reciclagem de vidro.
José Melo afirma também que o pelouro do ambiente da câmara municipal está “muito fora do ambiente”, que os seus constituintes pensam mais na luta politica do que na questão do ambiental.
Com novos projectos ambientais em vista, a associação Biosfera I aguarda respostas do Governo para lhes dar seguimento, em concertação com parceiros internacionais.
Este ano a Biosfera realiza uma palestra na Universidade de Cabo Verde, na Cidade da Praia, para comemorar o dia do ambiente.
O presidente explica que não realizam mais actividades em comemoração ao Dia Mundial do Ambiente por estarem a preparar dois acampamentos de longo prazo, um no Ilhéu Raso e outro na ilha de Santa Luzia, a iniciarem-se na próxima semana.
“O trabalho de logística desses acampamentos é muito exigente e não dispomos de muito pessoal. Por esta razão não realizamos mais actividades este ano” reforça.
Através de campanhas de limpeza da praia de Santa Luzia, conjuntamente com as Forças Armadas, a associação prevê retirar os detritos num prazo de 20 dias para melhorar as condições de permanência das aves marinhas e das tartarugas que existem no local.
A associação chama a atenção para a necessidade de erradicar gatos e ratos de Santa Luzia para que a ilha seja repovoada com espécies da base de alimentação das aves, como osgas e lagartixas.
O ambientalista dá o exemplo da calhandra-do-ilhéu-raso, uma das aves mais raras do mundo e que a Biosfera pretende preservar transpondo uma boa parte desta espécie para a ilha de Santa Luzia, sendo que já efectuaram estudos para a sua permanência no local.
Sendo que o trabalho ambiental exige tempo e dedicação, José Melo dá o exemplo do plano de protecção de cagarras que existe há sete anos e somente em 2015 estão a colher resultados positivos.
Também entre outros projectos a associação Biosfera I, conjuntamente com os pescadores da zona de Sinagoga, em Santo Antão, que antigamente caçavam cagarras, pretendem realizar um censo para monitorar o número de cagarras que regressam à Santa Luzia para procriar.
Segundo Melo, esta é uma espécie que atinge a maturidade sexual em sete anos, e as primeiras crias que foram protegidas pela associação regressam este ano para procriar, sendo que a população de cagarras aumentou “consideravelmente” nestes últimos sete anos.
O Dia Mundial do Meio Ambiente foi estabelecido pela Assembleia-Geral das Nações Unidas a 05 de Junho de 1972 para marcar a abertura da Conferência de Estocolmo sobre ambiente humano.
Celebrado deste então, este dia tem o objectivo de direccionar a atenção e acção política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental.
Fonte: https://inforpress.publ.cv/