O relatório mais recente das Nações Unidas e da Organização Meteorológica Mundial está em discussão, em Paris, e os dados que transpiraram para o exterior da reunião afinam por décimas as previsões de 2001 sobre aquecimento global e subida dos oceanos. Os grandes culpados mantêm-se o Homem e o dióxido de carbono (CO2).
Só na próxima sexta-feira surgirá a lume a versão final do quarto relatório científico elaborado pelo Painel Internacional para as Alterações Climáticas, documento que se destina aos decisores políticos e servirá de base científica a medidas para o período depois de 2012 (pós-Quioto). No entanto, do que já transpareceu dos estudos de milhares de páginas, para que contribuíram cerca de 2.500 cientistas de 130 países, sabe-se ser inegável a tendência de aquecimento da atmosfera. Agora, as estimativas apontam para que a temperatura aumente entre 1,9 e 4,6 graus ou entre 2 e 4,5 graus centígrados. Isto, tendo em conta um aumento da concentração de CO2 que duplique o valor emitido antes da revolução industrial, no século XIX.
Outro dos cálculos feitos com base em cenários prováveis da evolução da economia, população e medidas minimizadoras de impactos, indica que o nível dos oceanos continuará a subir. Ontem mesmo, o secretário-geral da Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas afirmava, em Jacarta, que a Indonésia poderá perder duas mil das cerca de 18 mil ilhas até 2030. Yvo de Boer tomava como referência o relatório sob análise em Paris, que estima haver uma subida do nível dos oceanos entre oito a 29 centímetros, até à década de 30. Se os cálculos forem avançados até final deste século, o cenário mais provável é o de que as águas do mar subam entre 28 e 43 centímetros. Os valores adiantados no relatório de há cinco anos tinham uma amplitude maior, variando entre os nove e os 88 centímetros.
A agência da ONU para o ambiente divulgou ontem também um estudo sobre os glaciares. Segundo os dados, provenientes da monitorização de 30 glaciares em todo o mundo, estes perderam em média, durante 2005, 66 centímetros de espessura. Entretanto, um climatologista austríaco divulgou documentos muito antigos que ilustram flutuações significativas na temperatura. Klaus Fessler defende que nem todas as condições meteorológicas extremas se devem ao aquecimento global.
Temperatura média sobe com CO2
O cenário estabelecido pelo relatório de 2001 indicava uma subida da temperatura média até 2100 entre 1,40.º e 5,80.º. Agora, a revisão das estimativas aponta para uma subida entre 1,9.º e 4,6.º. Tudo dependerá das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, mas o cenário é certo se estas duplicarem os valores de 1990.