Mensagem da representante das Nacoes Unidas em Cabo Verde sobre o dia Mundial do Ambiente


Alocução da coordenadora residente do sistema das nações unidas em cabo verde, senhora Patricia de Mowbray, por ocasião da comemoração do dia mundial do ambiente - 5 de junho de 2007.

Senhora Ministra do Ambiente e Agricultura, Excelência,
Senhoras e Senhores Representantes das instituições nacionais,
Senhoras e Senhores Representantes das missões diplomáticas e agências de cooperação,
Senhoras e Senhores convidados e participantes,

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Tenho o prazer, em nome do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, de estar aqui hoje para juntos comemorarmos mais uma jornada ligada a esta importante temática, o ambiente, bem como de transmitir a mensagem do Secretário-Geral da ONU, Senhor Ban Ki-moon, relativa a esta data.

Cada vez mais se encontra o tema fusão dos gelos e aquecimento global, tema do Dia Mundial do Ambiente deste ano, nas agendas dos Governos, dos Parlamentos e da sociedade civil, pela importância que os seus impactos poderão ter na vida social e económica dos países. Além disso, a rapidez com que estas alterações vêm operando, impede que as correcções e os ajustes apropriados sejam feitos de forma atempada. Estas preocupações estão bem patentes na mensagem do Secretário-Geral da ONU, Senhor Ban Ki-moon. Permita-me Senhora Ministra que a transmita. Início de citação:

“As emissões de gases, com efeito de estufa resultantes das actividades humanas provocam o aquecimento do nosso planeta. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera é mais elevada do que em qualquer outro momento dos últimos 600 000 anos e aumenta a um ritmo cada vez mais rápido.

A prova mais eloquente das alterações climáticas encontra-se nas zonas polares. O Árctico está a aquecer a um ritmo duas vezes superior à média mundial. A extensão e a espessura do gelo marinho permanente do Árctico estão a diminuir, nas zonas de permafrost, onde o solo tem permanecido congelado há séculos, o gelo começa a derreter e as calotes de gelo da Gronelândia e do Antárctico estão a derreter com uma rapidez que ninguém previra.

Para os habitantes e os ecossistemas do Árctico, as consequências são profundas. A diminuição do gelo marinho reduz o habitat das espécies árcticas vulneráveis. As alterações afectarão também as comunidades indígenas do Árctico, para as quais o ambiente é não só uma fonte de alimentação mas também a base da identidade cultural.

No entanto, não se trata de um problema que afecte apenas as regiões polares. O tema escolhido para o Dia Mundial do Ambiente de 2007 – “Gelo em Fusão: Um Tópico Quente” – indica que as alterações climáticas têm repercussões em todas as regiões. Os habitantes das ilhas e das cidades costeiras, situadas a baixa altitude, enfrentam o risco de inundação em consequência da subida do nível do mar. As companhias de seguros de todo o mundo pagam indemnizações cada vez mais pesadas pelos danos causados por fenómenos climáticos extremos. À medida que os glaciares recuam, aumenta a preocupação dos governos com o futuro abastecimento de água. E para o terço da população mundial que vive nas zonas áridas, especialmente em África, a evolução meteorológica ligada às alterações climáticas ameaça agravar a desertificação, a seca e a insegurança alimentar.

A dependência da sociedade em relação aos combustíveis fósseis põe em perigo o progresso económico e social bem como a nossa segurança futura. Felizmente, dispomos de inúmeros instrumentos políticos e tecnológicos que nos permitem evitar a crise que seavizinha, mas é necessária vontade política de os utilizar. Os países desenvolvidos, em particular, podem contribuir mais para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e promover a eficiência energética. Podem também promover o desenvolvimento limpo em economias em rápido crescimento, como o Brasil, a China e a Índia, e a adopção de medidas de adaptação nos países mais afectados pelas alterações climáticas.

Neste Dia Mundial do Ambiente reconheçamos a necessidade de travar as alterações ambientais alarmantes que se produzem nos pólos e em todo o planeta. E comprometamo-nos a fazer o que nos compete na luta contra as alterações climáticas”. Fim de Citação
Cabo Verde não poderá ficar alheio a esta série de acontecimentos e impactos negativos resultantes das alterações climáticas. A sua qualidade de país arquipelágico, bem como a sua relativa proximidade ao Equador conferem-lhe uma vulnerabilidade acrescida. As Nações Unidas, de uma forma geral, e o Escritório de Cabo Verde em particular, continuarão a apoiar as iniciativas relativas à implementação de programas nas áreas de Adaptação e das Mudanças Climáticas. Terá brevemente lugar o início da Segunda Comunicação Nacional sobre as Mudanças Climáticas, que apresentará os progressos realizados, assim como todas as acções iniciadas por Cabo Verde, no esforço global de resolução da problemática das mudanças climáticas. Outras iniciativas deverão privilegiar a realização de um inventário dos Gases com Efeito de Estufa, avaliação das medidas de atenuação desses gases, estudos sobre medidas de adaptação às Mudanças Climáticas, além de acções de transferência de tecnologias ambientalmente limpas, sobretudo as baseadas no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. A implicação e engajamento de Cabo Verde nestas iniciativas permitir-lhe-á dar a sua contribuição local para que se alcancem objectivos mais globais.

Muito Obrigado.