Em 2006, por ocasião da sua 57.ª sessão, o Conselho Executivo da OMM decidiu que o tema do ano 2007 fosse “A meteorologia polar: conhecer os efeitos globais” em reconhecimento da importância e como contributo para o Ano Polar Internacional (API) 2007-2008, que tem o patrocínio conjunto da OMM e do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU ). A fim de garantir a possibilidade de os investigadores trabalharem em ambas as regiões polares durante os meses de Verão e de Inverno, o período em que esta realização terá lugar será, na realidade, de Março de 2007 a Março de 2009. A ideia fundamental do AIP é a de uma forte eclosão de actividades internacionalmente coordenadas, interdisciplinares e científicas de investigação e observação concentradas nas regiões polares da Terra e seus efeitos de longo alcance à escala mundial.
Nos últimos anos verificou-se um renovado interesse pelo clima e pelas condições das regiões polares, que tem alguns antecedentes históricos importantes, dado que estas regiões têm tradicionalmente desempenhado um papel decisivo nas actividades da OMM e nas da sua antecessora, a Organização Meteorológica Internacional (OMI). Em 1879, o Segundo Congresso Meteorológico aprovou a ideia de realização de um Ano Polar Internacional, que foi posta em prática em 1882-1883. O segundo Ano Polar Internacional, também da iniciativa da OMI, teve lugar em1932-1933. O êxito do primeiro e do segundo API conduziu à noção de um ano geofísico internacional mais vasto, que abrangesse as latitudes inferiores, e não simplesmente de um novo ano polar internacional. Foi este o Ano Geofísico Internacional (AGI), que decorreu de 1 de Julho de 1957 a 31 de Dezembro de 1958 e teve consequências de longo alcance em termos de investigação científica com o envolvimento de 80 000 cientistas de 67 países.
Durante as últimas décadas foram detectadas alterações significativas do ambiente polar, tais como uma diminuição do gelo perene, a fusão de alguns glaciares e do permafrost e a diminuição do gelo dos rios e lagos. Estas alterações, mais evidentes no Árctico que no Antárctico, têm sido sujeitas a um estudo considerável. O Terceiro Relatório de Avaliação, de 2001, do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC ), co-patrocinado pela OMM, indica que a temperatura média da Terra à superfície aumentou aproximadamente 0,6 ºC durante o século XX. O Relatório estima ainda que a média global das temperaturas à superfície aumentará entre 1,4 e 5,8 ºC no período de 1990-2100. Em termos gerais, o IPCC estimou que, cerca do ano 2100, o nível do mar terá subido entre 9 cm e 88 cm, o que constitui um problema significativo para muitos pequenos estados insulares em vias de desenvolvimento e, em geral, para todas as áreas de baixa altitude do mundo. Actualmente, o IPCC está a preparar o Quarto Relatório de Avaliação, a publicar em 2007.
A contracção do gelo do mar poderá provocar sérias alterações nos ecossistemas marítimos, afectando os mamíferos marinhos e as vastas populações de krill que alimentam inúmeras aves marinhas, focas e baleias. Também o permafrost é vulnerável a um aquecimento atmosférico prolongado, sendo provável que se registe um degelo progressivo dos terrenos congelados em torno do Árctico, acompanhado da expansão de terras húmidas, com riscos consideráveis para os edifícios e infra-estruturas locais. Esta fusão teria ainda implicações no ciclo do carbono através da libertação de um dos principais gases produtores do efeito de estufa, o metano, que se encontra retido no permafrost.
Em Cabo Verde, com a criação do INMG em 2000, foram criadas ferramentas indispensáveis, tais como o PCCS, estatutos do INMG e do Pessoal, Estrutura Orgânica e vários regulamentos, na base principalmente do Dec Lei 67/94 de 5 de Dezembro. Sendo a meteorologia até a data um serviço praticamente aeronáutica, foram acrescidas novas responsabilidade, como a instalação e desenvolvimento dos sistemas nacionais de informação e vigilância meteorológica, geofísica e da qualidade do ar. Nessa base, vários projectos, acções e cooperações estão a ser desenvolvidos e implementados:
- Foi assinado um acordo de cooperação com o IM de Portugal nos vários domínios em Setembro de 2005 e está em curso um protocolo de cooperação com Brasil para a modernização do centro nacional de previsão;
- O projecto PROAREAA-CV (Reestruturação da Rede de Estações Automáticas de Cabo Verde) foi elaborado e entregue ao Governo e a ASA-SA em 2005;
- O projecto PUMA de MSG (Meteosat Segunda Geração) foi instalado e encontra-se operacional desde Junho de 2005 permitindo obtenção de vários dados directamente, via satélite e em tempo útil, sem recurso à internet, através de uma antena receptora de 4,5 m, e sem financiamento do Estado.
- O projecto de rede informática interna está funcional desde Set 2006; foi completada no Sal, em parceria e financiamento da NASA, uma conexão sede do INMG / AIAC em fibra óptica com terminais, o que vai permitir disponibilização de vários parâmetros à aviação, incluídos os recursos do MSG, melhorando substancialmente a qualidade de serviço prestado à aeronáutica; a integração na rede NOSI em 2006 é outra mais valia; a pág web meteo.cv está em vias de ser implementada. - O sistema de base de dados CLIDATA foi instalado desde Jan 2005 e está em fase de operacionalização;
- O projecto SICLIMAD (Sistema de Informação Climática e do Estado do Mar para Apoio ao Desenvolvimento Sustentado em Cabo Verde) em parceria com a universidade de Évora, ligado à investigação, iniciado em 2005, vai permitir de entre outros, melhorar a rede de monitorização climática em Cabo Verde, melhor compreensão das mudanças e variabilidade climática, implementação de modelos próprios regionais, etc;
- Os modelos desenvolvidos por SICLIMAD, RAMS (Sistema de Modelação Atmosférica Regional) e SWAN (Simulação das Ondas Costeiras) já estão em testes no INMG desde Out 2006, vão melhorar substancialmente as previsões em Cabo Verde e já foram apresentados publicamente na Câmara Municipal do Sal por universitários de Évora e do Brasil;
- Projecto SISTARAC (Sistema de Qualidade do Ar e sua relação com as Mudanças Climáticas) em parceria com o Ministério de Ambiente de Portugal vai permitir medir os níveis de qualidade do ar em C. Verde (CO2, Ozono, etc,) e suas relações com o clima e as mudanças climáticas;
- Projecto NAPA (Preparação do Programa de Acção Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas) segundo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, financiado pela GEF/PNUD e pelo Governo de Cabo Verde, sendo o INMG o agente de execução;
- Projecto Exercício da Auto-avaliação para a Segunda Comunicação Nacional sobre as Mudanças Climáticas (SCN-EAE-MC) no quadro da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, executando com êxito os projectos de curta duração através da agência de implementação (PNUD);
- Assistência à segurança alimentar através de seguimento anual da campanha agrícola fornecendo informações que conjugadas com outras permitem aos decisores planificar e implementar medidas adequadas que visam garantir a segurança alimentar das populações face a um mau ou bom ano agrícola.
É de notar a frequência dos pedidos de fornecimento de dados climatológicos feitos tanto pelos utilizadores nacionais (estudantes, instituições e privados) como internacionais. Organismos internacionais procuram constantemente o INMG como parceiros e têm referenciado os maiores elogios, participando em projectos não só operacionais mas também de investigação:
- Projecto NAMMA de estudo das actividades multidisciplinar da Monção África desenvolvido pela NASA (Agencia Espacial US), com estudo em Ago/Set de 2006 em Cabo Verde, vai permitir compreender as razões que levam parte das Ondas Africanas de Leste a transformar em ciclones tropicais, nascidas em particular na região de CV;
- Projecto SCINDA (rede de ajuda de cintilação solar), com uma conferência no Sal em Jul 2006, vai permitir pesquisa e monitorização das característica e impactos da ionosfera, cintilações solares, etc. desenvolvido pelo laboratório de pesquisa da Força Aérea Americana;
- Projecto TENATSO, do observatório Atmosférico da Praia Grande em S. Vicente, cujo promotor é a Universidade de York em parceria com o INMG (responsável) e o INDP, inaugurado em Jan de 2007, vai permitir estudar a composição química do ar em Cabo Verde (poeiras, CO, CO2, aerossóis) e as interações oceano-atmosfera;
- Continuidade na colaboração com a Universidade de Hawaii na monitorização dos dados de oscilações de maré associado a GPS, sendo a estação no porto do Sal uma das estações à volta do equador;
Projectos da Geofísica
- Projecto da instalação da rede sismométrica de Sto. Antão, com parcerias do NERC (Reino Unido), Garantia, as três Câmaras Municipais de Sto Antão e MAAP, início em Agosto de 2005 e fim previsto para Abril 2006, está em fase avançada de implantação. Pretende-se com esta rede conhecer a origem da actividade sísmica de S. Antão e a sua correlação com a actividade vulcânica;
- O projecto de validação da monitorização do Vulcão do Fogo por via da interferometria radar, em parceria do Museu Nacional de História Natural do Luxemburgo, já está em funcionamento e espera-se novas imagens de satélite para se dar continuidade a monitorização do estado do Vulcão do Fogo e de outras ilhas (Brava, S. Antão e S. Vicente);
- Em colaboração com Instituto Superior Técnico (Portugal) tem-se analisado os registos sísmicos recolhidos na ilha do Fogo e Brava, com quatro artigos dos resultados já publicados. O principal objectivo desta análise é estabelecer a vigência de um esquema de alerta para o Vulcão do Fogo de acordo com os dados registados;
- O projecto em colaboração com a Universidade Bristol, com funcionamento de uma rede sismométrica a nível nacional, publicados em três comunicações internacionais permitiu um melhor conhecimento do mecanismo da origem do vulcanismo de Cabo Verde e respectiva evolução e também a actividade sísmica global no arquipélago;
- Em colaboração com a IFM-GEOMAR, o INMG participou no cruzeiro do navio oceanográfico Meteor (Setembro de 2004). Os resultados deste cruzeiro foram importantes para se clarificar a origem dos tremores de terra frequentemente sentidos na Ilha Brava, que muito provavelmente se devem à actividade vulcânica submarina.
Fonte:INMG/CV