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Publicado em 07-03-2007
Os ministros das Relações Exteriores dos países-membros da União Européia (UE) tentaram, na segunda-feira, diminuir suas diferenças sobre como enfrentar o aquecimento da Terra, mas muitos continuavam resistindo ao plano da Alemanha de fixar metas compulsórias para o uso de "combustíveis verdes."
Caberá aos líderes dos países do bloco, que se reúnem nesta semana, decidir se a UE assumirá compromissos a respeito do uso de fontes de energia renováveis como a energia solar e a eólica em meio a seu ambicioso plano de liderar a luta contra as mudanças climáticas.
"Não houve nenhuma solução final", afirmou um diplomata da UE após as negociações. "Conforme o previsto, a cúpula (dos líderes) terá de lidar com isso", disse referindo-se ao encontro marcado para acontecer em Bruxelas na quinta e sexta-feira. "Eles (os ministros) reafirmaram as posturas que já conhecemos. A coisa parece que será assim por meses", disse uma outra autoridade do bloco, acrescentando que apenas a Suécia, a Dinamarca, a Grã-Bretanha e a Itália haviam manifestado apoio à proposta de fixar metas compulsórias para a adoção de fontes renováveis de energia.
A UE deseja liderar o mundo na luta contra o aquecimento global adotando unilateralmente o compromisso de reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 20 por cento, índice esse que pode subir para 30 por cento se outros países industrializados resolverem aderir aos planos.
A Alemanha, atual ocupante da Presidência rotativa do bloco, também defende que a próxima cúpula de líderes fixe metas compulsórias prevendo que 20 por cento da energia consumida passem a vir, até 2020, de fontes renováveis.
A França e cerca de mais dez países, entre os quais vários da região central da Europa, estão preocupados com a possibilidade de as metas obrigatórias prejudicarem suas estratégias nacionais de energia. Autoridades da Grã-Bretanha indicaram que o primeiro-ministro do país, Tony Blair, deixou de ser contrário à fixação, neste momento, das metas compulsórias.
Alguns diplomatas da UE disseram prever que o presidente francês, Jacques Chirac, cederá em troca do reconhecimento de que o programa de energia nuclear da França ajuda a reduzir as emissões de gás carbônico. "Muitos países da UE deram sinais de estarem prontos para aceitar como meta obrigatória os 20 por cento de energia (de fontes renováveis)," disse a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em uma entrevista ao jornal Sueddeutsche Zeitung. ACORDO?
Uma solução possível, segundo diplomatas, seria tornar a meta de corte de 20 por cento obrigatória para a UE como um todo. Mais tarde seriam negociadas as fatias individuais de redução. O ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, afirmou que o bloco deveria ter em vista algo mais contundente do que vagas diretrizes. Chamando atenção para as dificuldades a serem enfrentadas, uma auditoria independente sobre as políticas da Grã-Bretanha para o aquecimento da Terra disse que o país não conseguirá cumprir a meta de cortar 30 por cento das emissões de gás carbônico até 2020, atingindo-a apenas em 2050.
O relatório foi divulgado pelo jornal britânico The Guardian.