WWF prepara abertura de Delegação em Cabo Verde


A WWF International está a preparar a abertura de uma delegação em Cabo Verde. O processo já está em cima da mesa do ministro da Justiça, que deverá dar em breve o seu aval para a criação do escritório cabo-verdiano de uma das mais respeitadas redes independentes de conservação da natureza, a nível mundial.
A WWF vai dar, assim, continuidade aos projectos que já decorrem, em colaboração com o Governo, incidindo na formação de pessoal da Direcção -Geral do Ambiente, na protecção da biodiversidade marinha e na criação de áreas ambientais protegidas. A harmonia entre o turismo e a conservação da natureza terá uma atenção especial.

A directora da WWF (anteriormente conhecido como Fundo Mundial para a Natureza) para a África e Madagáscar esteve esta semana em Cabo Verde, mantendo encontros com o governo, que, entre outros resultados, concretizam a possibilidade de a instituição ter uma sede no arquipélago. Yaa Ntiamoa-Baidu, ganesa, avançou ao A Semana, no fi nal da reunião, que aconteceu na segunda-feira passada, com responsáveis do Ministério da Agricultura e Ambiente e do Ministério da Economia, que “a abertura da sede está a ser estudada com o MAA”. O processo já deu entrada no Ministério dos Negócios Estrangeiros, que estabelece os protocolos e contactos com organizações internacionais, e aguarda agora o aval do ministro da Justiça, José Manuel Andrade, que autoriza a sede e a personalidade jurídica das instituições
que se baseiam em Cabo Verde. A directora geral do Ambiente, Ivone Lopes, salientou o “grande know-how e a experiência da WWF em muitos países do mundo”, afi rmando que é “de bom grado” que vê a possibilidade desta organização se basear em Cabo Verde.

No encontro defi niram-se áreas de cooperação, algumas das quais surgem como dando continuidade aos projectos que, há já três anos, a WWF vem desenvolvendo em parceria com o governo cabo-verdiano: protecção da biodiversidade marinha e criação de áreas protegidas, formação em questões ambientais para técnicos da Direcção-Geral do Ambiente e formação de formadores.


As novas parcerias a explorar entre esta rede, uma das mais importantes e reputadas a nível mundial na protecção e conservação da natureza, e o Estado, incluem, segundo Yaa Ntiamoa-Baidu, “o apoio a questões ambientais relacionadas com o turismo”.
Referindo-se ao exemplo das Canárias, onde a construção desenfreada de prédios para habitação turística e hotéis desconsiderou a preservação do ambiente, a representante da WWF disse que Cabo Verde “tem que aprender com os erros que outros f zeram”. “Se não encontrar formas de fazer turismo conservando a natureza, Cabo Verde vai sofrer. O país tem que ser uma atracção para os turistas e não ter turistas que venham destruir os seus recursos. Turismo e conservação podem andar lado a lado”, justifica.

Outro ponto que Baidu destacou foi a biodiversidade marinha e, nesse aspecto, adiantou que a WWF pretende apoiar o governo na identifi cação, expansão e desenvolvimento de “mais áreas protegidas marinhas”. Isto implicará renovar a legislação ambiental e as políticas governativas e sensibilizar a população – aspectos em que a WWF quer também dar a sua contribuição. Actualmente, recorde-se, os projectos do MAA para a protecção da Baía da Murdeira de Santa Luzia e dos ilhéus são já executados pela WWF.


Vejo muito espaço para colaborarmos com o governo na criação de programas sobre sistemas marinhos. A protecção de espécies marinhas ameaçadas também deve ser uma prioridade nessa parceria, pois pelo que sei as tartarugas continuam a ser exploradas como alimento pelas pessoas”, disse Ntiamoa-Baidu.


As pescas são também uma preocupação, numa altura em que Cabo Verde vê aprovado um novo acordo com a União Europeia, que abre as suas águas a 84 pesqueiros europeus. “Queremos capacitar quadros para a gestão da pescaria, ou seja, para que compreendam o conteúdo dos acordos e como controlar a sua execução, de forma a não haver desregulação nas pescas”.


Ivone Lopes recorda que Cabo Verde “ainda está a dar os primeiros passos na conservação do seu património ambiental e marinho”, salientando que o ponto fraco é “a fi scalização”. “Não temos capacidade para fazer de forma satisfatória a monitorização e fi scalização da nossa Zona Económica Exclusiva”, informa. Da WWF, surge a garantia de apoio para que Cabo Verde se possa integrar em processos regionais sobre questões ambientais, promovendo uma abordagem conjunta ao nível da sub-região. “Cabo Verde é um país muito importante para a ecologia da região africana e um dos líderes em biodiversidade marinha”, realçou Ntiamoa-Baidu.


A WWF foi criada em 1961, e tem a sua sede na Suíça. Com quase cinco milhões de associados distribuídos por cinco continentes, a Rede WWF é a maior organização do tipo no mundo, actuando activamente em mais de cem países, nos quais desenvolve cerca de 2 mil projectos de conservação do meio ambiente. Desde 1985, investiu mais de 1.165 milhões de dólares em mais de 11 mil projectos em 130 países. Cada um deles é parte importante na campanha mundial para deter a aceleração do processo de degradação da natureza no mundo e para ajudar cada ser humano a viver em harmonia com o meio ambiente, refere o site da instituição (www.panda.org).

{styleboxop width=300px,float=left,color=white,textcolor=black,echo=no} Fonte: Rita Vaz da Silva - A Semana {/styleboxop}