Desertificação


Devido à sua localização geográfica e às condições naturais existentes, os governos de Cabo Verde orientaram, desde a independência em 1975, as suas acções no meio rural numa lógica de Luta contra a Desertificação. Para isso elaborou um Programa de Acção Nacional de Luta contra a Desertificação (PAN) com a participação efectiva das comunidades locais na sua concepção e execução, contendo projectos integrados e descentralizados.

Cabo Verde foi o primeiro país da África e o segundo do mundo a ratificar a Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação (CCD), em Março de 1995. De realçar que medidas práticas de luta contra a desertificação e mitigação dos efeitos da seca antecedem à Convenção de Luta Contra a Desertificação.

Na luta contra os efeitos da seca e desertificação, assim como nos programas e planos de protecção do ambiente e desenvolvimento, o apoio dos parceiros internacionais continua a ser imprescindível, contando Cabo Verde com uma importante ajuda, na luta contra a pobreza e na promoção do desenvolvimento, nomeadamente, dos Países Baixos, Banco Mundial, PNUD, FEM, União Europeia, o FIDA, e o Secretariado do CCD. No domínio da luta contra a pobreza, Cabo Verde conta com a França enquanto “chef de file”, no processo de mobilização de parceiros.

No processo de financiamento directo de acções de luta contra a desertificação, a capacitação de quadros nacionais, no domínio de investigação e gestão de recursos naturais, sobretudo voltado para as regiões árias e semi-áridas é uma prioridade. Esta capacitação deve ser extensível à investigação científica, com vista a um melhor conhecimento das potencialidades naturais, da região, e na busca de uma alternativa sustentável para a gestão de recursos.

Os estudos realizados até hoje, recomendam uma avaliação quantitativa de certos parâmetros e uma análise mais aprofundada dos impactes das actividades de luta contra a desertificação e os efeitos da seca, tanto no mundo rural, peri-urbano e urbano.

Cabo Verde conseguiu, através de programas de (re) florestação, arborizar de 1975 a 2004, cerca de 85.000 hectares. A superfície arborizada em 1975 era de 3.000 hectares. No período de 2002 a 2004, foram (re) florestadas cerca de 5.000 hectares, com espécies adaptadas às condições edafoclimáticas locais.