Biodiversidade


A biodiversidade de Cabo Verde é pobre quando comparada com a dos outros arquipélagos da Macaronésia. É representada, na sua maioria, pelas plantas e pelos animais que directa ou indirectamente foram introduzidos pelo Homem.

A diversidade biológica cabo-verdiana é constituída por diversos tipos de organismos vivos, nomeadamente algas, plantas, animais, líquenes e fungos.

Flora

As plantas identificadas classificam-se em Angiospérmicas, Gimnospérmicas (apenas existem espécies introduzidas), Pteridófitas e Briófitas. A flora vascular de Cabo Verde está representada por 755 taxa espontâneos (Duarte, 1998).

A acção humana teve sempre um grande impacto na composição da flora das ilhas. Mais de 50% da flora Cabo-verdiana (331 taxa) foi, provavelmente, introduzida pelo Homem. A flora indígena está representada por 224 espécies, das quais 85 são actualmente aceites como endémicas de Cabo Verde. Como reflexo da situação geográfica do arquipélago, a flora de Cabo Verde engloba na sua composição elementos de floras de diversas regiões, das quais as mais representadas são a região florística Macaronésica (Canárias, Madeira e Açores) e os países africanos (Senegal, Gâmbia, Mauritânia e Marrocos).

Fauna

Os animais mais conhecidos representam as classes de vertebrados, sendo mais representativas as classes de peixes, aves e répteis.

As águas marinhas são povoadas por grandes variedades de espécies, onde a maior concentração está localizada na zona oriental do arquipélago – Sal, Boavista e Maio. Por estas ilhas se encontrarem na rota das migrações dos tunídeos, durante alguns meses do ano estas espécies são relativamente abundantes, predominando principalmente a Albacora e o Patudo. Entre os tunídeos migradores destaca-se o Gaiado (que atravessa Cabo Verde de Julho a Novembro).

Em Cabo Verde existem cinco espécies de tartaruga.

Existem perto de cento e cinco espécies de aves terrestres e marinhas, das quais cerca de quarenta e duas reproduzem localmente, neste conjunto, vinte e quatro espécies e variedades são endémicas. Das espécies consideradas úteis, há tchotas (aves insectívoras), pardal de algodoeiro, pardal da barbaria, passarinha de pena azul, falcão, francelho ou falili, coruja, corvo, garças e calhandra do ilhéu Raso. Das espécies raras ou em via de extinção convém salientar o pato marmoreado, saltador e asa curta ou milhafre, o falcão, a francelha e o minhoto.

Os mamíferos e os anfíbios selvagens estão representados, no meio marinho, pelas baleias e pelos golfinhos e no meio terrestre, respectivamente por 1 espécie de macaco-verde (Cercopithecus aethiops), por 5 espécies de morcego e 1 espécie de sapo (Bufo regularis), todas introduzidas.

Os invertebrados, merecem realce os recifes coralinos, os moluscos (gastrópodes, lamelibrânquios e cefalópodes), os crustáceos (camarões, caranguejos, percebes e lagostas), os artrópodes, representados pelos insectos, aracnídeos e crustáceos de água doce (todos extintos) e os moluscos extramarinhos de água doce e das zonas mais húmidas. Existem quatro espécies de Lagosta: Scyllarides latus, Panulirus echinatus, Panulirus regius e Palinurus Charlestoni (esta última é uma espécie endémica de Cabo Verde onde é vulgarmente conhecida por lagosta rosa).

Gestão da Biodiversidade

As pressões que se exercem directa ou indirectamente sobre a biodiversidade terrestre e marinha são fundamentalmente de natureza antropogénica. A actuação humana sobre os recursos biológicos transforma-se em pressão quando a sua utilização se faz de uma forma insustentável, ou seja, a exploração do recurso ultrapassa a sua capacidade de regeneração.

As acções ou pressões de natureza antrópicas exercem-se de forma directa ou indirecta. As directas consistem na depredação da biodiversidade terrestre ou marinha para fins alimentares e/ou comerciais e na colheita insustentável de materiais biológicos para fins científicos. As indirectas actuam sobre o substrato ou o habitat das espécies ou populações de espécies.

A depredação da biodiversidade vegetal e animal tem-se manifestado de várias maneiras: através do pastoreio livre, assumindo neste processo o gado caprino e bovino as maiores acções na devastação do coberto vegetal e na degradação de habitats de espécies; caça aos animais; exploração de lenha e colheita de espécies herbáceas, arbustivas e arbóreas. A percepção do estado de degradação dos recursos biológicos pelo Governo está reflectida na Lei de Bases do Ambiente que contempla a "preservação da fauna e flora de Cabo Verde", e pela publicação de alguns Decretos Regulamentares.

Percentagem das espécies ameaçadas segundo a Lista Vermelha de Cabo Verde

% de espécies ameaçadas
angiospérmicas 26
briófitas 40
pteridófitas 65
quenes 29
aves 47
répteis terrestres 25
coleópteros 64
aracnídeos 57
moluscos terrestres 59

Não obstante as medidas acima mencionadas, a degradação da biodiversidade cabo-verdiana continua de forma acelerada. Esta situação considerada alarmante em 1996, vem-se agravando para as espécies Alauda razae (Calhandra-do-Ilhéu-Raso), cujo efectivo populacional sofreu uma redução de 250 exemplares em 1992 para 92 exemplares em 1998, Himantopus himantopus (Perna-longa), cuja população, avaliada em 75 exemplares em 1990, sofreu no período de 5 anos uma redução de cerca de 70% (Hazevoet, 1999).

A vulnerabilidade das espécies marinhas cabo-verdianas, sobretudo das zonas costeiras, tem aumentado, apesar da existência de medidas legislativas no sentido de minimizar a pressão sobre as mesmas e os seus habitats. Não obstante a adopção dessas medidas, o meio marinho tem experimentado mudanças como resultado do aumento de pressão das capturas de espécies comerciais, da extracção de areias e da deposição de sedimentos nas zonas litorais como resultado das actividades realizadas no interior das ilhas.

Medidas governamental

Os Planos Ambientais Inter-sectoriais da Biodiversidade e das Pescas, elaborados de forma participativa, e os Planos Estratégicos (Plano de Gestão dos Recursos da Pesca e Plano Estratégico para o Desenvolvimento Agrícola) de gestão dos recursos da pesca e de desenvolvimento da agricultura, são os instrumentos de gestão da biodiversidade, capazes de contribuir para uma gestão optimizada dos recursos biológicos através dos programas e projectos neles previstos, que já se encontram em fase de implementação.

Para além disso Cabo Verde assinou e ratificou a Convenção Internacional sobre a Biodiversidade, e em 2002 e 2003 foram publicadas as leis sobre “Espaços naturais Protegidos” e sobre a “Protecção de espécies de plantas e animais”.